15/05/2018 -

Entre os dias 1º e 7 de maio de 2018, as 141 páginas que monitoramos publicaram 9.558 posts, que geraram 4.887.624 compartilhamentos. As páginas que mais postaram durante o período foram Juventude Contra Corrupção (433 posts), Terra (433 posts) e Estadão (432 posts).

Tabela 1: 10 posts mais compartilhados da semana (1/5/2018 a 7/5/2018)

semana 26

 

Os 10 posts da tabela acima concentram 5% do volume total de compartilhamentos alcançados pelas 41 páginas ao longo do período. Essa proporção diminuiu pelo fato de termos aumentado o número de páginas da amostra. O recurso mais usado nesses posts foi a foto (90%), seguida do vídeo (10%).

Embora tenhamos aumentado a amostra, observamos que as páginas que compõem o ranking dessa semana são velhas conhecidas, assim como os recursos comunicacionais utilizados, o que corrobora a hipótese de que as páginas com maior número de curtidas tendem a ser mais compartilhadas.

O Movimento Brasil Livre (MBL) concentrou-se nessa semana em atacar os movimentos que lutam por moradia. No post mais compartilhado, o grupo comenta o caso do prédio ocupado que desabou em São Paulo: “Invadem prédios públicos e alugam para famílias miseráveis. Movimento social ou milícia?”. O quarto post da lista, aborda o mesmo assunto de forma semelhante. Soma a foto do prédio do Largo Paissandu à foto de uma favela e as compara acintosamente, desviando o foco do problema social da habitação e dos principais responsáveis pela tragédia, criminalizando o movimento: “Ocupar morro e cobrar taxa dos moradores é milícia. Invadir prédio e cobrar taxa dos moradores é movimento de luta social por moradia”.

A segunda colocação é ocupada pela página de Lula. Trata-se de uma foto dos manifestantes pró-Lula nas imediações da Polícia Federal em Curitiba, dando o tradicional “Bom dia, Presidente Lula” no 1º de maio. A foto mostra um ato lotado, com pessoas vestindo vermelho, muitas faixas e bandeiras do PT e com o escrito “Lula Livre”.

O terceiro post mais compartilhado da semana é do Vem pra Rua e consiste em um ataque a Lula: uma foto do ex-presidente é acompanhada da legenda “Mesmo preso, Lula conta com 2 carros e 8 assessores com salários até R$13mil por mês. Isso é justo?”.

O quinto post é do Senado Federal. Ele informa, por meio de ilustração, que é permitido consumir alimentos dentro do cinema que não sejam vendidos pelo próprio estabelecimento, e que tal imposição é abusiva.

No sexto post, o MBL traz uma foto de Lula e Dilma e questiona: “Reparou no silêncio petista sobre o calote bilionário da Venezuela que os brasileiros terão que pagar?”.

No sétimo post, o Vem pra Rua ironiza o argumento do ministro Dias Toffoli sobre a manutenção do foro privilegiado: “Toffoli defende manutenção do foro privilegiado alegando que o STF é célere e homogêneo. Deixe aqui sua gargalhada”. O grupo ainda complementa: “Sabem quantos políticos da Lava Jato foram condenados no STF? NENHUM!”.

A oitava posição é ocupada por uma página estreante no ranking, mas que adota o mesmo enquadramento das páginas da nova direita sempre presentes por aqui. A Política na Rede traz uma imagem do deputado Jean Wyllys e a indagação: “Jean Wyllys diz que deputados não ganham muito e que o salário é o mesmo que… O DE UM PROFESSOR! O que você tem a dizer a ele?”. O deputado alega nunca ter feito tais afirmações.[1]

O nono post, também do MBL, ridiculariza o líder político da Coreia do Norte a partir de uma montagem que contrapõem fotos suas às dos presidentes Barack Obama e Donald Trump. Nos três primeiros quadros, Obama diz “Vamos conversar”, e Kim Jong-un responde “Vou bombaldea”, reproduzindo imitações toscas do sotaque coreano. No último quadro, Trump faz a mesma pergunta, Kim Jong-un muda de resposta: “Acoldo de paz, né?”. Acompanha o meme, o comentário: “Alguns ditadores só funcionam assim, infelizmente”.

Por fim, no décimo post, a página Juventude Contra Corrupção se revolta com os carimbos “Lula livre” nas notas em circulação e apela: “Crime, estão carimbando nosso dinheiro com os dizeres ‘Lula livre’. Não aceitem nenhuma nota. Compartilhem!”.

Em suma, na primeira coleta realizada a partir da nova amostra, não observamos grandes mudanças na composição do ranking. A inclusão de mais páginas, e portanto, de mais posts, não abalou a liderança das páginas da nova direita no Facebook no âmbito dos compartilhamentos. Ao contrário, outra delas passou a integrar o grupo das mais populares.

Mesmo preso, Lula continua sendo o principal alvo desses atores, muito provavelmente porque a reação da militância a esse acontecimento tem ganhado cada vez mais espaço na rede, e convencido gradualmente a opinião pública. Uma demonstração disso é um post de Lula ter voltado ao ranking a despeito das circunstâncias. Contudo, outros atores associados (equivocadamente ou não) à esquerda também foram atingidos pelas críticas dessas páginas, como o Movimento de Luta Social por Moradia, o líder da Coreia do Norte e Jean Wyllys.

Nossas análises demonstram que os movimentos da nova direita preferem posts de caráter negativo do que propositivo. O conteúdo destes posts é, na maioria das vezes, uma crítica, agressão ou ataque às instituições, organizações e personagens políticos, e raramente incitam a pensar soluções democráticas para os problemas identificados.

De alguma forma, o ranking revela que essa estratégia encontra acolhida em parte da opinião pública, uma vez que os posts analisados estiveram entre os mais compartilhados na rede social mais popular entre os brasileiros. As causas desse fenômeno são diversas, e não nos cabe discorrer sobre elas aqui.

O momento eleitoral é uma ótima oportunidade para problematizar, esclarecer, aventar, contrapor, tolerar, pluralizar. Esperamos que as interações nas mídias sociais caminhem para isso, ainda que não nos pareça que este seja um desejo de fácil concretização.

[1] https://www.cartacapital.com.br/politica/voce-quer-saber-quanto-recebe-um-deputado-8802.html