03/07/2018 -

Entre os dias 19 e 25 de junho de 2018, as 145 páginas que monitoramos publicaram 9.312 posts, que geraram 3.887.010 compartilhamentos. As páginas que mais postaram no período foram as de mídia: UOL (479 posts), Catraca Livre (467 posts) e VEJA (441 posts).

Tabela 1: 20 posts mais compartilhados da semana (19/6/2018 a 25/6/2018)[1]

semana 33

Os 20 posts da tabela acima concentram 10% do volume total de compartilhamentos alcançado pelas 145 páginas ao longo do período. O recurso mais usado nesses posts foi a foto (70%), seguida do vídeo (20%) e do link (10%).

O ranking da semana é liderado pela página Fora Temer. O post mais compartilhado denuncia a entrega do pré-sal às empresas multinacionais pelo governo de Michel Temer e Pedro Parente, ex-presidente da Petrobras. Foi sobre o mesmo assunto o post de Conversa Afiada Oficial, que por meio de uma analogia com a derrota da Argentina na Copa, afirma que nosso caso é pior, pois perdemos “o pré-sal, a democracia, o emprego, a renda e a vergonha na cara”. Em seu outro post, Fora Temer ironiza o fato de Donald Trump ser  xenófobo, apesar de ser filho de uma imigrante escocesa.

No campo da direita, a página Vem Pra Rua (VPR) ocupa o maior número de posições na lista (6). Todos seus posts tratam da Operação Lava Jato. Parte deles critica a decisão do STF de absolver a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Nesse ensejo, o Vem Pra Rua lembrou da votação sobre o caso de Lula no dia 26, que foi cancelada por Fachin. O fato foi comemorado pelo movimento. A decisão foi noticiada também pelo post da revista Veja, que ocupa a 20º posição. Foram promovidas ainda enquetes pela página do VPR. A primeira delas questiona se as pessoas pretendem votar em políticos “enrolados na Lava Jato” e a segunda se as pessoas “votariam em um deputado que assinou a CPI contra a Lava Jato”.

Os posts do Movimento Brasil Livre (MBL) concentraram-se igualmente no Supremo Tribunal Federal, mas tiveram como foco uma campanha para que os ministros não soltem Lula, ameaçando inclusive paralisar o país. Os principais alvos das críticas do movimento foram os ministros Marco Aurélio, pela afirmação de que a prisão de Lula foi ilegal, e Ricardo Lewandovski, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, por terem votado de maneira favorável a Hoffmann. Seguiu a mesma linha o 15º post do rol, que pertence ao Movimento Contra Corrupção. Juntas, as páginas dos movimentos da nova direita respondem por 60% do ranking.

Ainda deste lado do espectro político, tivemos o conteúdo produzido pela página do pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL-RJ). No nono post, o deputado comenta sua agenda de campanha e defende suas posições políticas, como o estado mínimo e o voto impresso,  enquanto corta o cabelo. O presidenciável ainda direciona-se aos beneficiários do Bolsa Família, dizendo que não suspenderá o programa, critica o PT, o PSDB e o PSOL, e defende-se da acusação de prática de corrupção feita pela revista VEJA. Observamos que Bolsonaro adota um tom mais moderado nesse vídeo em comparação a suas postagens anteriores, o que pode constituir uma tentativa de se afastar, por exemplo, do estereótipo de autoritário. Em seu outro post, o deputado afirma que tem “independência para planejar e trabalhar” e que pretende ser eleito dessa forma, pois se recebesse contribuições para a campanha, não poderia governar positivamente.

Em resumo, observamos o desaquecimento do debate político no Facebook durante a Copa do Mundo, conforme apontamos na semana anterior. Neste contexto, as páginas da nova direita continuam dominando o ranking, direcionando suas mensagens especialmente ao STF, quando este vota casos que envolvem políticos do PT. Dentre os presidenciáveis, destaca-se Bolsonaro, que segue garantindo posições na lista, agora com um discurso mais comedido. Já as páginas de esquerda procuraram denunciar a entrega do pré-sal às multinacionais, processo que, dentre outros, como a liberação do uso de agrotóxicos pelo Congresso, vem sendo ofuscado pelo evento futebolístico. Diante dessas circunstâncias, mesmo com o Brasil ganhando em campo, quando nos voltamos para a política, é difícil não lembrar do 7×1.

[1] Treze posts foram excluídos da lista dessa semana por fugirem aos propósitos do monitoramento: quatro do G1, quatro de Adilson Barroso, dois do Catraca Livre, um do Estadão e um de O Globo.