14/11/2018 -

Na primeira semana após o 2º turno das eleições, as 155 páginas que monitoramos publicaram 5.749 posts, que geraram 9.053.088 compartilhamentos. As páginas que mais postaram no período foram: Revista Isto É (288 posts), Mídia Ninja (273 posts) e G1 (265 posts). Conforme esperado, houve uma redução do engajamento político no Facebook após o término do processo eleitoral.

Tabela 1: 20 posts mais compartilhados da semana (28/10/2018 a 3/11/2018)

semana 51

Os 20 posts da tabela acima concentram 20% do volume total de compartilhamentos alcançado pelas 155 páginas ao longo do período. O recurso mais usado nesses posts foi a foto (35%), seguida do vídeo (30%), do texto (20%) e do link (15%).

A vitória de Jair Bolsonaro (PSL) no último dia 28 de outubro foi o assunto mais discutido na última semana. Sete posts do presidente eleito alcançaram o ranking. Em suas lives, Bolsonaro agradeceu ao povo brasileiro pela vitória, a seu ver, conquistada a despeito de a mídia ter-lhe colocado diversas vezes em “situação vexatória” e de não contar com um grande partido e fundo partidário. Afirmou ainda que, em seu governo, o país não flertará mais com “com o socialismo, o comunismo, o populismo e com o extremismo da esquerda” e que honrará todos os compromissos que assumiu ao longo da campanha.

Em seus outros posts, textuais, afirmou que: doará o que restou do dinheiro arrecadado por sua campanha à Santa Casa de Juiz de Fora; recebeu telefonema de Donald Trump cumprimentando-o; seus “ministérios não serão compostos por condenados por corrupção” e, por fim, que Sérgio Moro havia aceitado ser seu ministro da Justiça.

As páginas dos movimentos da nova direita, Vem Pra Rua Brasil e Movimento Brasil Livre (MBL), comemoram a eleição de Bolsonaro, a ligação de Trump e a nomeação de Moro. A página do MBL aproveitou para criticar o PT sobre as indicações de Toffoli para o STF e de Lula para a Casa Civil.

A escolha de Moro para o ministério Justiça também foi matéria da revista Veja, presente na lista. Na reportagem, é comentada a ojeriza por parte dos atuais ministros do STF a Bolsonaro, especialmente após a declaração de seu filho, Eduardo, de que fecharia o Supremo.

Os deputados Kim Kataguiri (DEM) e Marco Feliciano (PSC) comemoram a eleição de Bolsonaro e desejaram-lhe um bom governo. Kataguiri negou que haveria retrocesso de direitos no novo governo afirmando que isso não passaria de terrorismo da esquerda, que “joga contra o país”, e que “tudo continua a mesma coisa”. Feliciano saudou Bolsonaro por seu primeiro discurso oficial ter começado com uma oração e criticou a jornalista Miriam Leitão, que manifestou preocupação com o fato, visto que o Estado deve ser laico.

Os candidatos à presidência Fernando Haddad (PT) e João Amoedo (NOVO) também cumprimentaram Bolsonaro, mas em um tom mais formal. Esse último ressaltou “a importância do futuro presidente unir o país” e informou que cobrará diariamente que o novo governo “abra mão dos privilégios, equilibre as contas, garanta liberdade para trabalhar e empreender e que funcione”.

Por fim, tivemos os posts do PT, pedindo que seus apoiadores continuem doando para a campanha de Haddad e Manu, a fim de “fechar as contas e fortalecer a resistência”, e de João Dória, governador eleito no estado de São Paulo, agradecendo os votos recebidos e informando que doará todos os seus salários de governador para organizações do terceiro setor, assim como fez quando prefeito de São Paulo.

Neste pleito observamos o rompimento do paradigma da comunicação política brasileira, que correlacionava a vitória nas urnas à estrutura partidária e ao tempo de propaganda televisiva. A internet, e sobretudo, as mídias sociais, pela primeira vez, se mostraram decisivas para o convencimento do eleitorado. Com diminuta estrutura partidária, o presidente eleito contou basicamente com recursos comunicativos de internet e mídias sociais, e forte apoio de igrejas evangélicas, particularmente as neopentecostais.

Com o término do processo eleitoral, voltamos a média de engajamento no Facebook tanto por parte das páginas quando de seus seguidores. Os posts mais compartilhados dedicaram-se a comentar a eleição de Bolsonaro, deixando de lado questões políticas mais substantivas. Majoritários, os posts da nova direita aproveitaram a oportunidade para, mais uma vez, rivalizar com a esquerda. A imbricação do discurso religioso com o político sinaliza os rumos do futuro governo. Resta saber se essas páginas continuarão a adotar a estratégia de guerra cultural, que vem implementando desde 2014, uma vez que agora representantes de sua agenda conservadora ocuparão os mais altos cargos executivos do país.