21/11/2018 -

52ª semana de monitoramento: 4 a 10 de novembro de 2018.

Entre os dias 4 e 10 de novembro, as 155 páginas que monitoramos publicaram 7.105 posts, que geraram 8.126.418 compartilhamentos. As páginas que mais postaram no período foram: Exame (362 posts), SBT (350 posts) e  O Globo (347 posts).

Tabela 1: 20 posts mais compartilhados da semana (4/11/2018 a 10/11/2018)

semana 52

Os 20 posts da tabela acima concentram 13% do volume total de compartilhamentos alcançado pelas 155 páginas ao longo da semana sob análise. Os recursos mais usados nesses posts foram a foto (40%) e o link (40%), seguidos do vídeo (10%) e do texto (10%).

O acontecimento mais discutido pelas páginas que compõem nossa amostra foi o reajuste do salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) aprovado pelo Senado no dia 7. As páginas da nova direita Movimento Brasil Livre (MBL) e Vem Pra Rua Brasil realizaram a campanha #vetatemer na rede e ameaçaram convocar manifestações caso o post alcançasse 100 mil compartilhamentos. No momento em que escrevemos este texto, o post tinha gerado 71 mil compartilhamentos. João Amoêdo (Novo) posicionou-se igualmente contra o reajuste, promovendo a campanha #AumentoNão. Postagem da página O Globo sobre o assunto também alcançou o ranking. O jornal carioca destacou que a medida causará um efeito cascata na folha do funcionalismo.

Outro veículo da grande imprensa alcançou o ranking por meio de postagens críticas aos senadores. Em uma das postagens, o Estadão abordou negativamente o redirecionamento de 50% do Fundo Social do Pré -Sal, originalmente destinado à Saúde e à Educação, para a expansão de gasodutos e participação de Estados e Municípios. O jornal tratou também da proposta do presidente eleito de extinguir o Ministério do Trabalho e os riscos aos direitos trabalhistas que tal medida pode significar.

Em seus posts, o MBL criticou Haddad, alegando incompetência do ex-prefeito na área econômica por não ter dinheiro para pagar a dívida de sua campanha. Já a candidata a vice, Manuela d’Ávila, foi criticada por ter cobrado políticas públicas que melhorem os índices educacionais do país. Segundo Danilo Gentili, essa atitude demonstraria ansiedade, já que ele não se lembraria da deputada fazer o mesmo com o governo do PT. A apresentadora Fernanda Lima também foi assunto de uma postagem. Ela foi criticada por um discurso realizado em seu programa de TV contra o ódio, o machismo, o racismo e a homofobia. Lima foi chamada de hipócrita por ter duas babás negras que a ajudam com seus filhos. O movimento obteve sucesso também ao reproduzir um vídeo do advogado Miguel Najib sendo entrevistado no programa de Danilo Gentili rebatendo as críticas da esquerda ao projeto Escola sem Partido. Najib, fundador do projeto, afirmou que “não há mordaça na proposta”, pois o professor já não possui, a priori, liberdade de expressão em sala de aula, “visto que seu dever é passar o conteúdo, não se posicionar politicamente”.

Bolsonaro emplacou três posts no ranking da semana, o que sugere menor uso e/ou impacto de sua comunicação via plataforma. Após as eleições, os posts de Bolsonaro que alcançaram o rol possuem caráter distinto: tivemos duas mensagens de texto e uma live.

Nos posts textuais, Bolsonaro se comprometeu a “abrir a caixa preta do BNDES e revelar ao povo brasileiro o que foi feito com seu dinheiro nos últimos anos” e informou que as propostas da reforma da Previdência de 40 anos de contribuição para aposentadoria integral e 22% de alíquota de INSS, não são de sua autoria. Já em sua live, Bolsonaro tratou de diversas questões que vêm polemizando seu futuro governo. Indicou que promoverá “o comércio sem viés ideológico”, defendeu a Reforma da Previdência e a exploração oficial da biodiversidade da Amazônia e do nióbio. O presidente eleito ainda disse que dará carta branca para que Sergio Moro atue no Ministério da Justiça, e criticou os ambientalistas, os homossexuais e os centros acadêmicos. Comentando a questão da prova do Enem que trazia um “dialeto” utilizado por gays e travestis, Bolsonaro desdenhou: “linguagem particular daquelas pessoas”. Sobre os graduandos, afirmou que os centros acadêmicos “só têm maconha, cachaça e camisinha”. Havia, ainda, um trecho no qual Bolsonaro falava das expectativas do setor produtivo sobre o Movimento dos Trabalhadores Sem-terra (MST), mas ele foi cortado do vídeo.

Em suma, os posts das páginas da nova direita seguem alcançando maior volume de compartilhamentos. Finalizado o processo eleitoral, no qual Bolsonaro liderou os índices de engajamento, esses movimentos recuperaram o protagonismo na plataforma. Na semana em questão, seus posts consistiram principalmente em criticar as decisões do Senado, criticar quadros, demandas e movimentos sociais de esquerda. A possibilidade de retrocessos no campo dos direitos foi observada pelas matérias da grande imprensa. A disputa pela agenda política deve continuar repercutindo nas mídias sociais, espaço que se mostra cada vez mais importante para a mobilização da opinião pública. E nós continuaremos a monitorá-las.