11/03/2019 -

Entre os dias 24 de fevereiro a 2 de março de 2019, as 158 páginas que monitoramos publicaram 7.325 posts, que geraram 4.808.160 compartilhamentos. As páginas que mais postaram nessa semana foram: Exame (403 posts), VEJA (370 posts) e Estadão (347 posts).

Tabela 1: 20 posts mais compartilhados da semana (24/2/2019 a 2/3/2019)[1]

semana 68

Os 20 posts da tabela acima concentram 16% dos compartilhamentos obtidos pelas 158 páginas ao longo do período. Os recursos mais empregados nos posts foram o link (40%), seguido da foto (35%) e do vídeo (35%).

O falecimento do neto do ex-presidente Lula, Arthur, foi o assunto que gerou maior engajamento entre os posts do ranking. As páginas do próprio Lula e de Fernando Haddad (PT) prestaram suas condolências à família, transmitindo “o apoio de milhões de brasileiros”. O post mais compartilhado da semana consiste em um vídeo da população manifestando sua solidariedade ao presidente quando este seguia rumo ao velório do menino.

A notícia também foi amplamente divulgada por meio da matéria do R7 e comentada por páginas da direita. Dentre estas últimas, destacou-se a postagem da blogueira Alessandra Strutzel que, de modo sórdido, comemorou o fato. Esta atitude foi majoritariamente recriminada na rede, levando a autora do post a retratar-se e, em seguida, deletá-lo.

O segundo tema mais comentado foi a Reforma da Previdência. Ao contrário do que ocorreu na semana anterior, nesta os posts contrários à reforma foram mais volumosos do que os favoráveis. Enquanto Kim Kataguiri (DEM-SP) em sessão na Câmara dos Deputados defendeu que “a reforma é boa para os pobres”, a página Fora Temer se dedicou a evidenciar as contradições da família Bolsonaro, primeiro trazendo vídeo em que Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) manifestava-se contrário à Reforma durante o governo Temer, alegando inclusive que o rombo da previdência era uma mentira, e em seguida publicando o vídeo de uma suposta eleitora de Bolsonaro dizendo-se decepcionada com tal iniciativa do presidente. Tivemos também um vídeo de Kátia Abreu (PDT-TO) denunciando a precariedade dos trabalhadores rurais e defendendo seus direitos na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Outra discussão que prosseguiu na rede foi a situação da Venezuela. Entretanto, essa foi monopolizada pela direita. O MBL acusou por meio de meme Gleisi Hoffman de hipócrita por criticar o muro que Trump pretende construir na divisa com o México, mas, ao mesmo tempo, apoiar o fechamento das fronteiras da Venezuela por Maduro, impedindo a chegada de ajuda humanitária. Já o senador Álvaro Dias (Podemos-SP) compartilhou o vídeo de Arnaldo Jabor sobre a ausência de posicionamento dos artistas e os intelectuais brasileiros no caso da Venezuela.

Matérias da grande imprensa sobre a absolvição do ex-prefeito Fernando Haddad na ação da UTC por falta de provas também renderam muitos compartilhamentos para as páginas do Estadão e da Revista Exame.

A educação foi tema de diferentes posts que compõem a lista. A página Vem Pra Rua Brasil propôs, por meio da fala de Alexandre Garcia no Bom dia Brasil em 2015, que o salário dos professores fosse equiparado ao dos vereadores e vice-versa. O G1 revelou o caso do professor de Lins que foi espancado por um aluno e decidiu abandonar a docência. O portal R7 anunciou o Programa Visão do Futuro, do governo do Estado de São Paulo, que promete acompanhamento oftalmológico para os estudantes do ensino fundamental.

Por fim, sobressaíram os posts relacionados às prefeituras do Rio de Janeiro e de São Paulo. A primeira viralizou na rede ao aprovar a lei que define todos os assentos nos coletivos municipais do Rio como preferenciais para idosos, gestantes, pessoas acompanhadas com crianças de colo e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Aqueles que se negarem a cumpri-la, estarão sujeitos à multa de R$100,00 e desembarque compulsório. Já a prefeitura de São Paulo tornou-se notícia por querer multar em R$500 quem fumar maconha e crack nas ruas.

Em resumo, o ranking desta semana foi mais plural do que o das anteriores, tanto no que se refere à diversidade de páginas que o compõe, quanto pelos assuntos discutidos nos posts. A morte do neto do ex-presidente Lula e a Reforma de Previdência garantiram posições na lista às páginas de esquerda. A visibilidade para as lideranças deste espectro também foi motivada pelas páginas da grande imprensa, que noticiaram o fim do processo contra Haddad. Os ataques das páginas de direita à esquerda, sobretudo ao PT, ou foram menos numerosos, ou insuficientes para alcançar grande volume de compartilhamentos no período. Estes se resumiram ao caso da Venezuela. Talvez tal fato deva-se a alguma sensibilidade ou medo de uma repercussão negativa diante do falecimento do menino Arthur, que comoveu a opinião pública e pelo qual também sentimos muito. Manifestamos nossa solidariedade à família.

 

[1] Tendo em vista nossos propósitos, foram excluídos dois posts da lista por não tratarem de Política: um da Revista IstoÉ e outro do Portal R7.