21/03/2019 -

Entre os dias 10 e 16 de março de 2019, as 158 páginas que monitoramos publicaram 7.350 posts, que geraram 5.019.700 compartilhamentos. As páginas que mais postaram nessa semana foram: Veja (401 posts), UOL (376 posts) e Estadão (360 posts).

Tabela 1: 20 posts mais compartilhados da semana (10/3/2019 a 16/3/2019)

semana 70

Os 20 posts da tabela acima concentram 11% dos compartilhamentos obtidos pelas 158 páginas ao longo do período. Os recursos mais empregados nos posts foram o vídeo (45%), seguido por foto (35%), link (15%) e texto (5%).

Mais uma vez, Bolsonaro (PSL) foi o político que obteve maior volume de compartilhamentos em seus posts.  Nesta semana, seus posts que alcançaram o ranking trataram da suposta perseguição que ele sofre pela imprensa brasileira, da agenda presidencial e da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de que a Justiça Eleitoral tem competência para julgar crimes comuns quando há conexão com delitos eleitorais.

No post mais compartilhado da semana, Bolsonaro acusa a jornalista Constança Rezende, do jornal O Estado de São Paulo, de querer “arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o impeachment do presidente”. No post, o presidente compartilha conteúdo produzido pelo site Terça Livre que se refere a um áudio de conversa em inglês ocorrida supostamente entre Rezende e um jornalista estrangeiro sobre as investigações de denúncias contra Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Segundo o site, a intenção da jornalista seria arruinar Flávio e o governo de seu pai – interpretação endossada pelo presidente ao reproduzir o conteúdo. No entanto, a afirmação dessa intenção não condiz com o conteúdo da áudio. O Estado de S. Paulo argumentou em seguida que o site compartilhado pelo presidente havia distorcido a informação.

Em sua live da semana, acompanhado dos ministros da Saúde e das Relações Exteriores (Luiz Henrique Mandetta e Ernesto Araújo, respectivamente), o presidente prestou condolências às famílias da tragédia de Suzano-SP; informou sobre o decreto que extingue 21.000 cargos comissionados da esfera federal, o que segundo ele gerará uma economia de quase R$195 milhões; e sobre a antecipação da vacinação em massa da gripe por conta do surto de  H1N1 no Amazonas. O presidente falou também sobre sua visita aos Estados Unidos, quando pretende firmar acordos nas áreas da energia, segurança, defesa, biodiversidade e agricultura, além de permitir o uso de tecnologia americana na base de Alcântara (MA) para o lançamento de satélites. Bolsonaro manifestou-se ainda contra as placas de carro do Mercosul e anunciou a volta do brasão nos passaportes brasileiros.

Em outros dois posts, Bolsonaro sinalizou que discorda da decisão do STF de direcionar os crimes da Lava Jato para a Justiça Eleitoral. Seu filho Eduardo e os movimentos Vem Pra Rua Brasil e Brasil Livre criticaram igualmente a decisão do Supremo, que em suas visões, é um golpe que tem como objetivo perpetuar a impunidade e acabar com a operação, e saíram em defesa do pacote proposto pelo ministro Sergio Moro.

O Judiciário foi tema de outros posts que compõem o rol desta semana, por meio da aprovação da CPI da toga e da campanha realizada pela direita em prol do impeachment de Gilmar Mendes. O ministro, que é alvejado por estas páginas desde o ano passado, provocou a fúria de atores como o Vem Pra Rua Brasil, o Movimento Brasil Livre (MBL) e Álvaro Dias ao referir-se aos procuradores da Lava Jato como “gângsters, gentalha e cretinos”. Por meio de vídeo, o advogado Modesto Carvalhosa, que entrou com o processo contra Mendes, afirmou: “O impeachment do ministro Gilmar Mendes é uma necessidade de redenção da honra do povo brasileiro, (…) pois este se utiliza do Supremo para achincalhar a democracia e seus colegas”.

O MBL e o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) conseguiram viralizar ainda um vídeo de uma professora de inglês da rede pública que alega ter sido vítima da “ditadura petista dentro das escola”, sendo xingada por seus colegas sindicalizados e pela supervisora da instituição de ensino em que leciona.

A Reforma da Previdência também recebeu a atenção dos posts da lista. Destacaram-se o vídeo de Guilherme Boulos (PSOL) e uma matéria replicada por João Amoêdo (Novo). Em assembleia popular, Boulos denunciou os interesses dos bancos e dos grandes empresários por trás da reforma; explicou como ela será prejudicial aos trabalhadores de baixa renda por, entre outras coisas, aumentar o tempo mínimo de contribuição, e diminuir o valor do BPC/LOAS e da aposentadoria por invalidez; e convocou a população às ruas para barrá-la. Sob ótica distinta, Amoêdo comparou as aposentadorias médias dos cidadãos comuns e dos parlamentares e criticou o fato da aposentadoria especial dos deputados, que só este ano custou à Câmara R$ 7,18 milhões, não entrar na reforma. Na matéria do R7 que compartilhou, afirma: “Para efeito de comparação, o valor gasto pela Câmara com todos os ex-parlamentares seria suficiente para pagar o benefício médio de mais de 4.700 aposentados pelo INSS”.

Dentre as páginas de esquerda, emplacaram posts no ranking Manuela D’avilla (PCdoB), que compartilhou o vídeo da Mídia Ninja em homenagem à vereadora  Marielle Franco (PSOL), assassinada há um ano; Fernando Haddad (PT), que replicou matéria da revista Época do ano passado que sugere relação de Bolsonaro com a morte de um bandido em 1995; e a nota do ex-presidente Lula manifestando sua solidariedade às família das vítimas do ataque em Suzano-SP. Lula apelou “àqueles que incentivam a cultura do ódio e da violência, [que] entendam que não precisamos de mais armas para que massacres como o de Suzano não se tornem cotidianos em nosso país. O Brasil precisa de paz”.

Em suma, os posts mais compartilhados nesta semana foram das páginas de direita, que direcionaram suas críticas especialmente ao STF. O discurso anticorrupção e falsamente nacionalista promovido por esses atores desvia a atenção de questões fundamentais que estão sendo decididas atualmente, como a Reforma da Previdência e a soberania nacional, e dos graves crimes que rondam o Planalto. Trata-se de uma velha estratégia política adaptada ao contexto da hegemonia da comunicação digital. Resta saber até quando ela será eficiente e quais serão suas consequências concretas.