17/01/2019 -

 

Após no segundo turno das eleições de 2018, o presidente eleito Jair Bolsonaro e a montagem de seu futuro governo passaram a ser itens de destaque da pauta jornalística. A fim de averiguar os detalhes das narrativas publicadas, este boletim compara a cobertura do Governo Bolsonaro àquela dedicada ao Governo Temer no mesmo período. Utilizaremos a base do Manchetômetro entre os dias 29 de outubro e 20 de dezembro de 2018 dos jornais: O Globo, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo.

Gráfico 1 – Comparação da cobertura sobre Economia

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Fonte: Manchetômetro

Gráfico 2 – Comparação da cobertura sobre Política

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Fonte Manchetômetro

Finalizado o período eleitoral, a atenção da grande mídia se voltou para a nova equipe que se formava, tanto no que toca o tema da Economia, quanto o da Política. Enquanto o novo governo Bolsonaro apareceu em 768 textos nesse período, o governo Temer foi citado em 369 oportunidades no mesmo período.

Em ambos os Gráficos, há diferenças na cobertura entre os dois governos. Tanto nos textos sobre economia, quanto sobre política, o governo Bolsonaro tem uma cobertura em sua maioria neutra. O governo Temer, por sua vez apresenta proporcionalmente mais textos desfavoráveis em ambos os temas, embora também seja ligeiramente mais elogiado (Favoráveis) que o futuro governo Bolsonaro.

Vejamos se há diferenças significativas entre os meios.

 

Jornais

Gráfico 3 – Comparação da cobertura do jornal O Globo

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Fonte Manchetômetro.

 

A intensidade da cobertura que o jornal o Globo dedicou a cada governo foi díspar: enquanto o futuro governo de Bolsonaro foi objeto de 238 textos, o então governo Temer o foi em apenas 126. No jornal carioca, conforme podemos perceber, a cobertura dos dois governos é em sua maioria neutra. Contudo, há duas situações que identificamos apenas neste jornal: a cobertura do governo Temer possui percentual negativo maior que o do futuro governo Bolsonaro e favorável menor. É na cobertura do Globo que Temer atinge seu maior índice de textos negativos, 27%, e seu menor de textos favoráveis, apenas 4,8%. Por sua vez, Bolsonaro, tem seu menor índice de textos contrários e de textos favoráveis entre os meios, 12,2% e 11,3%, respectivamente. Tal índice é similar ao do Estadão, jornal em que o governo eleito é proporcionalmente mais elogiado.

Gráfico 4 – Comparação da cobertura do jornal Folha de São Paulo

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Fonte: Manchetômetro

 

A Folha de São Paulo foi o meio que mais deu espaço a textos sobre Jair Bolsonaro, foram 328, contra 112 textos que citavam o governo Temer. A cobertura da Folha seguiu o mesmo padrão que veremos no Estadão: tratamento com predominância de neutras em ambos os casos, porém dando mais negativas a Bolsonaro e mais favoráveis a Temer, proporcionalmente. O jornal paulista foi o mais crítico ao governo Bolsonaro, com 39,6% de matérias negativas e apenas 5,2% de positivas.

Gráfico 5 – Comparação da cobertura do jornal Estadão

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Fonte: Manchetômetro

O jornal Estado de São Paulo publicou no período 202 textos sobre o governo Bolsonaro e 131 textos sobre o governo Temer, a menor diferença de cobertura entre seus pares. O jornal é o que proporcionalmente mais elogiou ambos os governos, com 23,9% de textos favoráveis ao governo Temer e 11,9% ao governo Bolsonaro. Também é no Estadão que o governo Temer apareceu com o menor índice de textos críticos, 19%.

Conclusões

No período que antecedeu a posse do novo governo, os jornais deram maior espaço ao Governo Bolsonaro que ao Governo Temer. Com 328 notícias, a Folha lidera entre os periódicos analisados, seguida pelo Globo com 238 aparições e, por fim, o Estadão com 202. Nos três casos há predominância de matérias neutras.

A cobertura da Folha é a que apresenta o maior percentual de notícias negativas, com 39,6% no total. O jornal foi acusado pelo então presidente eleito Jair Bolsonaro, em uma de suas primeiras entrevistas após ser eleito, de ter inventado uma reportagem sobre uma servidora fantasma de seu gabinete de deputado. O jornal publicou apenas 5,2% de aparições favoráveis ao presidente eleito.

Por sua vez, O Globo é o jornal com maior proporção de neutras, 76,5% de seus textos. Também vem do jornal carioca o menor índice de textos contrários ao governo Bolsonaro, apenas 12,2%. O Globo possui 11,3% de textos favoráveis, um percentual próximo ao do jornal Estado de São Paulo.

Entre os três jornais, o jornal Estado de São Paulo é aquele com maior percentual de textos favoráveis, 11,9%. Além disso há 67,3% de textos neutros e 20,8% de contrários.

Conforme podemos perceber, a cobertura dos jornais durante o período que antecedeu a posse de Jair Bolsonaro foi de trégua. Deram algum espaço para o novo governo se organizar, produzindo noticiário diário predominantemente neutro e afastando o então governo Temer dos holofotes: enquanto Bolsonaro esteve presente em 768 textos, o governo Temer apareceu em 369.

Assim, a cobertura do governo Temer refletiu o tom melancólico de seu fim: terminou com a pior avaliação entre os governos da Nova República. Enquanto o governo Bolsonaro teve uma cobertura que, apesar de não se furtar a discutir temas polêmicos e escândalos, demonstrou-se mais disposta a dar uma chance ao novo governo. Resta saber quanto tempo durará a Lua de Mel entre os grandes jornais e Bolsonaro.