26/06/2019 -

Por Eduardo Barbabela, Juliana Gagliardi, Natasha Bachini e João Feres Junior.

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

O décimo sétimo dia da cobertura do escândalo tem como grande destaque o julgamento da liberdade de Lula pelo Supremo Tribunal Federal, que ocorreu ontem. Outro tema que repercutiu bastante foi a afirmação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), de que as mensagens divulgadas pelo Intercept seriam suficientes para cassar Sérgio Moro se este fosse um parlamentar. Com 35 textos, o dia 26 de junho é o terceiro com o maior número de referências à Vaza Jato desde o começo da cobertura.

O Globo

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

O Globo tem nove textos sobre o assunto, seis deles neutros. Em seu editorial o jornal aponta para a importância da decisão sobre o mérito do segundo habeas corpus de Lula, que discute a imparcialidade de Moro, e para falta de consenso sobre o hacking, reforçando o pedido de Moro de divulgação de todo o material e periciamento do mesmo. Em sua coluna, Merval Pereira argumenta que há divergências na Corte sobre as mensagens do Intercept: enquanto alguns ministros enfatizam a parcialidade que as mensagens sugerem, outros defendem a necessidade de perícia das conversas divulgadas. Apesar disso, o colunista assevera que a Lava Jato continua com o apoio popular. Miriam Leitão também discute a decisão do STF e afirma que as conversas entre Moro e Dallagnol tornaram essencial discutir como as instituições devem funcionar.

 

Estadão

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

O Estadão amplia sua cobertura para textos que têm alguma ligação ao escândalo, seis deles críticos a Sérgio Moro. O jornal destaca o julgamento em sua manchete, que reforça a afirmação de Celso de Mello de que, apesar do voto contrário à liberdade de Lula, essa decisão não refletia seu voto sobre o mérito do habeas corpus que será votado em agosto. Vera Magalhães em sua coluna no jornal aponta para a necessidade de o STF tomar uma decisão sobre o HC e sobre as possíveis ilegalidades reveladas. A ida de Glenn Greenwald à Câmara dos Deputados também é noticiada. Por fim, o jornal destaca os convites de grupos como MBL e Vem pra Rua, que apostam na versão do hacking, para manifestações pró-Moro no domingo.

Folha

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

Como já é de praxe, a Folha faz a maior cobertura entre seus pares, com dezesseis textos, onze deles neutros. Em um de seus editoriais, o jornal apresenta uma posição ambígua, pois ao passo que defende a legalidade da condenação de Lula, por ter sido confirmada pelo TRF4 e pelo STJ, também aponta para os sérios indícios de ilegalidade nas ações de Moro e procuradores. Fernando Haddad, Flávio Dino, Guilherme Boulos, Ricardo Coutinho, Roberto Requião e Sonia Guajajara assinam artigo de opinião conjunto no qual destacam a injustiça que fora o julgamento de Lula, pedindo o afastamento de Moro do Ministério da Justiça e a nulidade do julgamento realizado pelo ele. Igor Gielow também cita a Vaza Jato e o julgamento em sua coluna, afirmando que a manutenção da prisão de Lula foi péssima para Jair Bolsonaro, pois ele perdeu a oportunidade de atrair um eleitorado de centro direita que estava afastado do presidente. O jornal também abre espaço para uma aspas de Fernando Henrique Cardoso que afirma vê normalidade nas conversas entre juízes e promotores, afirmando que Moro cometeu um pecado venial, considerado leve na religião católica, e não mortal.

Jornal Nacional

Na edição de ontem (25/6) do Jornal Nacional não houve reportagem específica sobre a Vaza Jato. No entanto, o vazamento foi mencionado na primeira matéria do telejornal, sobre o julgamento do pedido de liberdade provisória de Lula no STF. A reportagem abordou dois pedidos de soltura feitos pela defesa do ex-presidente – um deles questiona a decisão do ministro do STJ Félix Fischer contra Lula e o segundo pede a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro no caso do tríplex do Guarujá, que resultou na prisão do ex-presiente. O telejornal ressaltou que a ação sobre a atuação do ex-juiz “é muito anterior à publicação de supostas mensagens atribuídas a Moro e aos procuradores”.

Ao reportar os votos dos ministros, o JN também deu espaço à temática, dizendo que Gilmar Mendes afirmou, durante a votação, que as revelações feitas recentemente pelo Intercept podem ter relação com as matérias apreciadas pela Corte e que por isso seria preciso analisar melhor a questão. Foram ressaltadas também as posições de Edson Fachin e Ricardo Lewandowski sobre este ponto. Ambos disseram que o material do Intercept não deveria ser considerado, já que não foi submetido ao escrutínio das autoridades. Sobre isso, Gilmar Mendes respondeu, segundo o JN, que não estaria “levando em conta o Intercept para soltar Lula enquanto não julgam o habeas corpus”, mas que “há elementos nos autos que colocam em dúvida a atuação do juiz.”

Facebook

Os dois posts mais compartilhados no Facebook sobre política no dia 25 de junho trataram da participação do jornalista Glen Greenwald, do Intercept Brasil, na sessão da Câmara dos Deputados sobre a Operação Lava Jato. O primeiro post, da página do PSOL, consiste em um vídeo do jornalista explicando a Vaza Jato e relatando sua indignação quando leu pela primeira vez o material da fonte e viu que o juiz estava “interferindo nas investigações” e “construindo as acusações”, abusando “severamente do poder judicial”. Neste trecho, Greenwald afirma também que o material foi cuidadosamente examinado pela equipe antes de ser divulgado, e que Moro está tentando enganar o público ao dizer que “poderia ser alterado”. No segundo post, da Mídia Ninja, é recortada a fala de Greenwald, que responde ao deputado do PSL incisivamente: “ninguém tem medo do seu partido. Nossos jornalistas estão trabalhando agora nesta reportagem e vão continuar até o final. Nem o seu partido, nem o governo do Bolsonaro, nem Sérgio Moro podem fazer nada para impedir”. Ambos os posts receberam cerca de 17 mil compartilhamentos na data.

 

Conclusão

O décimo sétimo dia de cobertura do escândalo mostra que a principal preocupação dos jornais está na possível influência dos vazamentos do Intercept na Lava Jato, principalmente no que toca a prisão de Lula. Com número crescente de opiniões críticas a Moro, agora de ministros do STF e do próprio presidente do Senado, a pauta parece estar abrindo a possibilidade da preservação da Operação Lava Jato a despeito do destino que terá Moro.