04/07/2019 -

Por Eduardo Barbabela, Juliana Gagliardi, Natasha Bachini e João Feres Jr.

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

A ida de Sérgio Moro à Câmara dos Deputados foi tema mais saliente do vigésimo quarto dia da cobertura da Vaza Jato. O número de textos aumento comparado ao dia anterior, 18. A discussão está cada vez mais focada na Lava Jato. Devido a essa tendência, modificamos o código “críticas ao Intercept” para incluir os textos que atacam aquilo que chamam de oposição à Lava Jato.

O GLOBO

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

O Globo manteve sua cobertura tímida com apenas 4 textos, 3 deles críticos ao Intercept ou àqueles que se opõem à Lava Jato. Na chamada da capa, o jornal destaca a defesa que Moro fez da Lava Jato. Na reportagem, o jornal repete a reclamação de Moro sobre revanchismos. Em breve comentário em sua coluna, Merval Pereira critica a atuação da oposição de esquerda na arguição no dia anterior, afirmando que somente queriam defender Lula, ou periciar o celular de Moro, ao invés de discutir as possíveis ilegalidades presentes nas conversas, ou mesmo a origem ilegal das mensagens. O jornal também destaca a decisão da PGR de recomendar aos procuradores utilizarem apenas software próprio para se comunicações internas, motivada pelos ataques de hackers a Moro e aos procuradores da Lava Jato.

ESTADÃO

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

O Estadão também apresentou uma cobertura acanhada da Vaza Jato, com apenas quatro textos sobre o escândalo. Uma reportagem destaca as ironias de Moro na Câmara dos Deputados. Em análise sobre a ida do ex-juiz à Câmara, Rafael Cortez é enfático: as mensagens retiraram do ministro sua força de agenda personificada, mas são insuficientes até o momento para garantir seu afastamento do cargo. Ainda segundo ele, com a polarização política existente, o STF será o responsável por decidir o futuro do ex-juiz.

FOLHA

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

A Folha se mantém como o jornal que mais destaca a Vaza Jato, com dez textos que citam o escândalo. Em artigo de opinião, o procurador do MPE de São Paulo, Edílson Bonfim defende não apenas o julgamento de Lula, como também afirma que a imparcialidade de Moro não foi afetada pelas conversas. Na coluna Painel, o jornal rememora dois casos importantes a partir da informação de que a Polícia Federal solicitou ao Coaf analisar as contas de Glenn Greenwald: o processo de Moro contra um réu no Paraná que o acusava de arbitrariedade e abuso de autoridade e o quase processo contra Mônica Bérgamo em 2017, que havia publicado acusações de Tacla Duran à Lava Jato. A Folha também corrige informação citada por Moro durante sua fala introdutória, afirmando que não ter dito que as mensagens não possuíam conteúdo considerado ilícito, mas que seu editorial apresentava os argumentos favoráveis e contrários à concessão do habeas corpus do ex-presidente Lula. Em reportagem, o jornal também traz a denúncia do senador Fabiano Contarato (Rede- ES) de que estaria sendo ameaçado de morte após embate com Moro no Senado.

JORNAL NACIONAL

Na edição de ontem (2/7), o Jornal Nacional apresentou uma matéria sobre a ida do ministro Sérgio Moro à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados para dar esclarecimentos sobre sua “suposta” troca de mensagens com integrantes da força-tarefa da Lava Jato. O telejornal reproduziu dois deputados falando durante a audiência: um do PT, Helder Salomão, criticando a conduta de Moro; e uma do PSL, Bia Kicis, falando em sua defesa. A fala de Salomão ocupou 40 segundos da matéria, enquanto a fala de Kicis, 19 segundos. No entanto, do tempo total da matéria – 4m4s –, Moro aparece falando em 1m41s, defendendo a operação Lava Jato, atribuindo a invasão de celulares a um grupo criminoso e dizendo que o veículo com posse do material vazado deveria entregá-lo a uma autoridade independente. No mês passado, o JN dedicou mais de oito minutos à cobertura da ida de Moro ao Senado, quando ele enfrentou menos resistência. Bem menos tempo foi dedicado a sua ida à Câmara. Nesta última ocasião, ainda que a repórter tenha informado que o ambiente foi mais tenso, o jornal apresentou duas vozes – uma favorável e outra contrária – como se a reunião tivesse sido balanceada. Considerando-se o tempo cedido à fala de Moro, novamente a voz de defesa do ex-juiz e da operação Lava Jato foi predominante, como temos visto acontecer até aqui.

FACEBOOK

No dia 2 de julho, seis posts entre os dez mais compartilhados no Facebook trataram da Vaza Jato. Tal fato deveu-se a participação de Moro em sessão da Câmara para esclarecimentos sobre o caso. A maioria dos posts desta data foram favoráveis a Moro. O MBL e o deputado Kim Kataguiri recortaram algumas falas, nas quais Moro afirma que o jornal “criou uma tese e está tentando demonstrá-la” e observa que há muitos defensores da libertação de Lula, mas pergunta:“onde estão os defensores de Eduardo Cunha e Sergio Cabral, quem defende que eles sejam colocados imediatamente em liberdade? Qual inocente foi condenado?”. Estas foram reproduzidas em vídeo com os seguintes títulos: “Moro cala esquerdistas” e “Moro debocha de petistas”. Já o Estadão ironizou o pedido do deputado José Guimarães (PT-CE) para que Moro entregasse o celular destacando no subtítulo da matéria: “Deputado cujo ex-assessor foi preso em 2005 com US$ 100 mil escondidos na cueca propôs a ministro da Justiça que ‘firme um compromisso com a ética e com a verdade’”. Do outro lado, a Mídia Ninja parte da argumentação da deputada Maria do Rosário (PT-RS) na audiência da Câmara: “O senhor vai ser julgado, gostaria de ser julgado por um juiz que orientasse a sua acusação?”. A deputada ainda o acusou de parcial e sensacionalista, e questionou: “o senhor acha natural ter virado ministro de quem você beneficiou após condenar seu principal adversário político?”. Além disso, tivemos no ranking o mesmo cartaz de “Procura-se Queiroz”, veiculado no dia 1 por Conversa Afiada Oficial, compartilhado no dia 2.

CONCLUSÃO

A cobertura da ida de Sérgio Moro à Câmara dos Deputados reforçou a posição de defesa da Lava Jato do ministro. A confusão instaurada na reunião conjuntas das comissões, o formato da reunião e também as respostas evasivas de Moro favoreceram uma cobertura pró ministro, dado que não foi possível extrair dele nenhuma resposta clara.