09/07/2019 -

Por Eduardo Barbabela, Juliana Gagliardi, Natasha Bachini e João Feres Jr.

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

O 28o dia de cobertura teve a Folha de São Paulo publicando novas denúncias da Vaza Jato e os resultados da primeira pesquisa sobre a opinião do brasileiro sobre Sérgio Moro desde o início do escândalo. Apesar disso, a quantidade total de textos caiu para apenas 14.

O Globo

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

O Globo continua a cobrir timidamente a Vaza Jato, com apenas dois textos na edição do dia 7 de julho. Em reportagem discutindo a nova agenda do Legislativo, o jornal destaca que os vazamentos das mensagens podem fazer as regras das delações premiadas serem modificadas. O caso também é lembrado em matéria sobre a insuficiência da lei brasileira contra o hacking.

Estadão

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

O Estadão praticamente não cita o escândalo, com apenas um breve comentário em texto de Vera Magalhães sobre a relação entre Executivo e Legislativo brasileiros.

Folha

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

Número de textos publicados desde o primeiro dia da cobertura do escândalo (10/06/19)

A Folha traz sua maior cobertura diária desde o dia 27 de junho, com 11 textos sobre a Vaza Jato, sete deles críticos a Moro ou à Operação. Já em sua manchete, o jornal destaca os resultados da pesquisa Datafolha apontando que a maioria dos brasileiros considera inadequadas as conversas entre Moro e os procuradores da Lava Jato. Os resultados também são tema de reportagem completa no interior do jornal e da coluna Painel, que pontua a reprovação da atitude de Moro entre os brasileiros que não se posicionaram na última eleição. Também na capa da Folha há nova denúncia: a sugestão do ex-juiz de tornar pública a delação da Odebrecht sobre propinas na Venezuela. Em uma longa reportagem, o diário que apresenta mensagens trocadas. O jornal também abre espaço para a defesa de Moro e da Lava Jato, que não reconhecem a autenticidade do material publicado. Por fim, a ombudsman da Folha, Flavia Lima, escreve artigo no qual defende o trabalho conjunto de Folha, Intercept, e o material utilizado nas reportagens, mesmo que critique o posicionamento pessoal de Glenn Greenwald nas mídias antes dos vazamentos.

 

Jornal Nacional

Na edição de ontem (6/7), o Jornal Nacional dedicou 2m20s a noticiar uma pesquisa do Datafolha sobre o possível impacto da divulgação de diálogos entre Sérgio Moro e procuradores da operação Lava Jato. Conforme a pesquisa, entre os entrevistados que têm conhecimento das conversas gravadas, 58% as consideram inadequadas; 59% consideram que, se comprovadas as irregularidades, as decisões tomadas por Moro deveriam ser revistas. O telejornal destaca que os vazamentos não mudaram a opinião da população sobre a condenação do ex-presidente Lula no caso do Tríplex, já que 54% dos entrevistados considerava a prisão justa – mesma porcentagem que teria parecido, segundo o jornal, em abril, antes do escândalo. Nesses casos, para a conduta de Moro e a condenação de Lula, o telejornal informou as porcentagens para as três possibilidades de resposta que contemplam as opções favorável (à conduta de Moro ou à condenação de Lula), contrária e “não souberam responder”. A matéria destaca, ainda, outros resultados: que a aprovação pessoal de Moro teve queda, que a maioria disse que ele não deveria deixar o cargo em razão dos vazamentos, e que a maioria continua defendendo a operação Lava Jato mesmo que tenha havido queda na aprovação.

Como se pode notar, ainda que apontando possíveis impactos, a pesquisa aparece como favorável à operação e a seus agentes. Essa continua a ser a narrativa recorrente na cobertura, como temos visto até aqui.

 

Facebook

Três dos dez posts mais compartilhados do sábado (6 de julho) abordam a Vaza Jato. Todos pertencem a páginas de direita, que procuram reagir aos efeitos negativos da parceria entre a Veja e o Intercept para Moro e para o governo. Eduardo Bolsonaro publicou um meme no qual compara tweets de Marcelo Freixo (PSOL-RJ) em momentos distintos porém descontextualizados (característica própria das fake news): um no qual o deputado psolista foi favorável à ação de hackers, como no caso do Intercept na Vaza Jato, e outro no qual foi contrário, quando teve suas conversas supostamente hackeadas por uma página denominada “Pavão misterioso”, conhecida por difundir fake news e que muitos acreditam pertencer a Carlos Bolsonaro (PSL-RJ). Já Álvaro Dias (Podemos-PR) reproduziu o texto de Diogo Mainardi, que define as conversas vazadas por Greenwald como “lixo tóxico”, e acusa o jornalista de tê-las “fabricado” com o único propósito de “tirar Lula e seus comparsas da cadeia”. Além disso, o senador compartilhou um vídeo que contrapõe as acusações feitas a Moro às declarações de Palocci na  CPI do BNDES, que em suas palavras, seria “o maior esquema de corrupção da história da humanidade”. Dias acusa também a esquerda de “contratar hackers internacionais e comprar pessoas da imprensa para que não abram a caixa-preta do BNDES”.

Conclusão

O dia 7 de julho trouxe muitas informações novas com os resultados da Datafolha e as novas denúncias da Folha de São Paulo. Enquanto isso, os outros jornais escolhem colocar o Vaza Jato como baixa prioridade em seu agendamento de notícias. A política no Facebook volta a ser dominada pelos grupos de direita, inclusive aquele em poder do clã Bolsonaro.