28/07/2019 -

Por Eduardo Barbabela, Juliana Gagliardi, Natasha Bachini e João Feres Jr.

dia46

O 46° dia de cobertura continuou ampliando a o destaque ao escândalo. Com 24 textos, a Vaza Jato alcançou um patamar que não ocorria desde 27 de junho, quando foram 25 textos. Nas três edições de hoje tivemos as manchetes discutindo a questão do hacking. É a primeira vez que a Vaza Jato está presente nas três manchetes em dois dias consecutivos desde o início desse projeto. Também é a primeira vez que o Jornal Nacional menciona o escândalo desde 16 de junho.

O GLOBO

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O Globo continuou a destacar o escândalo, dessa vez com seis textos, todos contrários à Vaza Jato. Em sua coluna diária, Merval Pereira afirma que é importante descobrir se alguém pagou os hackers para realizarem o serviço. O jornalista também defende que os editores do Intercept apenas cumpriram sua função jornalística divulgando o material, desde que não tenham pago pelas informações – o que os tornariam cúmplices do crime de hackeamento. Em reportagem, o jornal faz um perfil de Walter Delgatti Neto, um dos suspeitos de hackeamento, entrevistando parentes e citando aspectos de sua vida cotidiana.

ESTADÃO

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O Estadão também fortalece sua cobertura sobre a Vaza Jato, com dez textos. Em editorial, o diário questiona a diligência com que o caso de vazamento envolvendo o ministro da Justiça Sérgio Moro em relação a diversos outros vazamentos ocorridos durante a Operação Lava Jato. Segundo o jornal, o que se transmite à população é de que o crime é apenas a invasão de celulares, não o vazamento de informações judiciais sigilosas. O Estadão também divulga a nota do Intercept afirmando que não comenta sobre as identidades de suas fontes anônimas, tal qual“a melhor imprensa mundial,” e demonstra preocupação com as conclusões precipitadas de Moro sobre o caso.

FOLHA

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A Folha também destaca a Vaza Jato, com seis textos. Em artigo de opinião, Bruno Boghossian afirma que, apesar de ser necessário descobrir possíveis movimentações financeiras dos supostos hackers, é preciso que Sérgio Moro responda aos questionamentos que foram levantados com as mensagens vazadas. Em outro artigo de opinião, Pedro Luís Novaes, especialista em direito de sigilo da fonte jornalística, explica a relação entre o hacking e os jornalistas do Intercept e as possibilidades de se quebrar a ideia de sigilo da fonte jornalística em casos que envolvam crimes.  Na coluna Painel, Daniela Lima aponta que a prisão dos hackers fortaleceu a narrativa de Sérgio Moro, de que sofreu crime cibernético, junto à ala que defende a Lava Jato no Supremo. Entretanto, o grupo que critica a Lava Jato ainda sustenta que o problema suscitado nas conversas, o conteúdo, não foi resolvido com as prisões. Em artigo de opinião, Raphael Hernandes destaca que os hackeados não levaram a segurança digital a sério e pagaram o preço por tal.

JORNAL NACIONAL

Na edição de ontem (24/7), o Jornal Nacional veiculou uma longa matéria (10m36s) sobre a prisão dos suspeitos de invasão dos celulares do ministro Sérgio Moro e outras autoridades. A matéria reproduziu falas da Polícia Federal, descreveu as prisões, apresentou os suspeitos e descreveu minuciosamente como a invasão teria se realizado.

Ao final, o telejornal lembrou que o Intercept vem publicando, desde o dia 9 de junho, conversas vazadas de Moro e procuradores ligados à força-tarefa da operação Lava Jato e divulgou as respostas em nota do Intercept e da Folha de S. Paulo e da Veja – dois veículos que tem divulgado trechos dos vazamentos em parceria com a agência de notícias. Das notas, o JN destacou apenas os trechos em que os veículos argumentaram novamente que o material foi recebido de fonte anônima e que uma análise de autenticidade foi realizada.

O JN fez ampla cobertura do evento das prisões e da invasão dos celulares – atenção que não deu aos últimos vazamentos. Novamente se destacou a narrativa de crime. Mais uma vez não houve problematização sobre o conteúdo das mensagens ou sobre a atuação do ex-juiz e dos procuradores no âmbito da operação.

CONCLUSÃO

O desenrolar das prisões continua a ser tema e o fortalecimento da narrativa de Sérgio Moro, de que foi vítima de um crime, também é destaque. Conforme o editorial do Estadão questiona, ao que parece o crime não está associado a divulgação de informações sigilosas, mas em terem sido obtidas por supostos hackers, ao invés de fontes oficiais, como no caso da conversa entre Dilma e Lula, divulgadas pelo próprio Moro.