05/08/2019 -

Por Eduardo Barbabela, Juliana Gagliardi, Natasha Bachini e João Feres Jr.

dia56

O 55° dia de cobertura trouxe 15 textos dedicados à Vaza Jato. O principal assunto foi as novas informações divulgadas pela Folha de São Paulo de que Moro teria omitido palestras remuneradas em sua prestação de contas quando era juiz federal.

O GLOBO

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O Globo publicou cinco textos sobre o tema. Em sua coluna, Merval Pereira compara a Operação Lava Jato com a Operação Mãos Limpas, da Itália, e declara que existem forças tentando limitar a luta contra a corrupção no Brasil. Segundo o jornalista, o STF está fortalecendo provas obtidas ilegalmente e que não poderão ser utilizadas contra membros da Lava Jato. Em sua coluna, Lauro Jardim diz que Deltan Dallagnol sabe que momentos mais constrangedores estão por vir.

ESTADÃO

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O Estadão continuou com cobertura acanhada, com apenas dois textos em sua edição diária. Em sua coluna, Eliane Cantanhêde defende que a decisão do Supremo de impedir a destruição do material hackeado equilibrou o jogo, permitindo que ambos os lados, Executivo e Judiciário, tenham uma bomba atômica nas mãos. Em reportagem, o diário discute a mudança de planos do PC do B após as revelações de que Manuela D’Ávila foi o elo entre o hacker e Glenn Greenwald.

FOLHA

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A Folha novamente se destaca na cobertura diária, com nove textos. Em sua coluna, Bruno Boghossian defende que os vazamentos deram materialidade à discussão sobre limites da Operação Lava Jato e que as mensagens ganharam vida própria após o vazamento, restando ao Supremo decidir como enfrentar a questão. O diário também traz novas informações, a partir do material do Intercept, de que Moro omitiu palestra remunerada em sua prestação de contas. O atual ministro da justiça afirma que a omissão foi um lapso e que doou a maior parte do cachê recebido.

JORNAL NACIONAL

Na edição de sábado (3/8), o Jornal Nacional incluiu uma matéria (146s) ligada à temática deste boletim. Nela, abordou especulação acerca da pressão que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, estaria sofrendo para afastar o procurador Deltan Dallagnol da coordenação da operação Lava Jato.  O JN menciona a nota da Procuradoria-Geral da República negando a informação e cita desacordo entre Dodge e o STF sobre a manutenção de um inquérito aberto em março por Dias Toffoli, que apura ofensas contra ministros da Corte. Na mesma nota, a procuradora opina que a mesma Corte que acusa não deveria julgar. Também é mencionada a resposta do gabinete do ministro Alexandre de Moraes reforçando que há mais de 30 anos a Lei Orgânica da Magistratura permite a investigação

Embora o telejornal exponha desacordos entre as diferentes instâncias, continua a fazer isso a partir de vozes exclusivamente oficiais. Não houve menção à Vaza Jato.

CONCLUSÃO

Os vazamentos envolvendo ministros do Supremo continuam a aparecer nas edições diárias dos jornais. Novas informações também surgem do material do Intercept, agora contra Moro. Veremos se tais revelações serão capazes de deslocar o foco sobre Dallagnol.