Textos Acadêmicos
As publicações do Manchetômetro têm o objetivo de ampliar o repertório de análises oferecidas pelo site, com estudos de temas e casos que incorporam metodologias quantitativas e qualitativas. Para tal, criamos a Série M, composta de ensaios críticos temáticos sobre a cobertura midiática.
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Feres Júnior, João; Sassara, Luna de Oliveira.
Este artigo examina o fenômeno da escandalização da corrupção no jornalismo brasileiro. Observamos na análise dos pleitos presidenciais de 2010 e de 2014 forte viés da cobertura de escândalos em desfavor da candidatura da situação — 95% de matérias sobre escândalos da administração petista contra 5% de matérias relativas a escândalos tucanos. Também examinamos o tratamento dado a dois escândalos do
PSDB, para controlar parcialmente a análise quantitativa e reforçar a confirmação da hipótese de viés.

Feres Júnior, João; Sassara, Luna de Oliveira.
Os estudos da mídia brasileira em períodos eleitorais têm consistentemente encontrado um viés contra políticos e partidos de esquerda, particularmente contra o Partido dos Trabalhadores. O presente trabalho é uma contribuição a essa literatura. Trata-se de uma comparação entre as coberturas eleitorais do Jornal Nacional e das capas do jornal impresso O Globo, ambos pertencentes ao Grupo Globo durante o período eleitoral de 2014. Queremos, primeiramente, testar a hipótese da continuidade do comportamento das mídias desta empresa. Uma vez confirmada essa hipótese, partiremos para o exame da hipótese do papel de “cão de guarda”. Para tal, comparamos os resultados das análises das eleições de 2014 e de 1998: duas campanhas para reeleição, com os mesmos partidos em competição, PT e PSDB, mas ocupando lugares opostos dos polos situação e oposição. Nossos resultados confirmam a tese da continuidade do viés antipetista e rejeitam o papel de cão de guarda. A metodologia utilizada para a análise das coberturas das três eleições é a análise de valências das notícias.

Feres Júnior, João; Sassara, Luna de Oliveira.
Neste artigo, testamos a hipótese de que a cobertura recebida pela presidente Dilma Rousseff nos jornais ‘Folha de São Paulo’, ‘O Globo’ e ‘O Estado de São Paulo’ tornou-se ainda mais negativa após sua vitória eleitoral em outubro de 2014. Também comparamos a cobertura de Dilma àquela dedicada a Aécio Neves, seu principal adversário e líder da oposição, alvo de inúmeras denúncias de corrupção no período pós-eleitoral. O teste não deixa dúvidas acerca do caráter altamente politizado da mídia brasileira. Concluímos refletindo sobre a importância da mídia para o futuro da democracia no Brasil.

Feres Júnior, João.
O artigo é uma resposta sistemática e detalhadas às críticas que Luis Felipe Miguel fez em artigo recente à metodologia da análise de valência (MAV). Segundo o autor: (1) a MAV confunde emissor, receptor, pesquisador e objeto do discurso; (2) reduz drasticamente a complexidade do processo comunicativo; (3) reproduz o ideal normativo da imparcialidade jornalística; (4) está sujeita à excessiva subjetividade. Pretendo mostrar que esses argumentos arrolados por Miguel contra a MAV são, quando não equivocados, superficiais. Contra suas críticas argumento que: (1) estudos de valência focam somente o emissor, sem prejuízo para a análise; (2) reduzem complexidade como outras metodologias em ciências sociais; (3) não dependem do pressuposto da imparcialidade para serem feitos; (4) estão menos sujeitos às distorções subjetivas do que metodologias de estudo da mídia como análise de agendamento e de enquadramento, preconizadas por Miguel.

Feres Jr, João.
Este é o quarto artigo de um debate com Luis Felipe Miguel sobre a MAV e, como tal, responde às objeções feitas pelo autor em texto anterior, intitulado Uma Resposta. Miguel argumenta que a MAV é utilizada pelo site Manchetômetro com propósitos de intervenção pública, e não com fins acadêmicos. Mostro que, na sociedade de hoje, é comum metodologias acadêmicas serem usadas para subsidiar o debate público. Ele também critica a cientificidade e a acurácia da MAV. Em resposta, mostro que a MAV foi empregada muitas vezes no Brasil em estudos de mídia e é fartamente aplicada na academia de língua inglesa, inclusive nos jornais mais prestigiosos da área de ciência política. Por fim, comparo a MAV à análise de enquadramentos, metodologia fartamente utilizada na academia nacional, para mostrar que a determinação de valências de textos é operação mais simples, e, portanto, muito menos sujeita à variação, do que a interpretação de complexas construções semânticas que são os enquadramentos.

Feres Júnior, João; Sassara, Luna de Oliveira; Barbabela, Eduardo; Candido, Marcia Rangel; Miguel, Lorena; Silva, Thyago de Simas.
Neste artigo, apresentamos os primeiros resultados da pesquisa levada a cabo pelo Manchetômetro durante o ano de 2014.